O Ovis dalli, conhecido como carneiro-de-Dall ou carneiro-branco, é uma espécie de mamífero artiodáctilo pertencente à família das Bovidae. Endêmico das regiões árticas e subárticas do norte da América do Norte, destaca-se por sua imponente aparência, especialmente nos machos, cujos chifres curvos e brancos são símbolos de resistência e adaptação ao ambiente extremo. A espécie é dividida em duas subespécies principais: Ovis dalli dalli (carneiro-de-Dall do Alasca) e Ovis dalli argyrocharis (carneiro-de-Dall do arquipélago de Kodiak). Sua importância ecológica é significativa, pois atua como um herbívoro-chave em habitats montanhosos e tundras, influenciando a estrutura da vegetação e servindo como alvo para predadores naturais. Além disso, o carneiro-de-Dall possui valor cultural e econômico para comunidades indígenas e caçadores profissionais, sendo considerado um dos símbolos mais emblemáticos da fauna selvagem do Alasca. Sua presença também atrai turistas e pesquisadores interessados em ecologia e conservação.
O nome científico Ovis dalli foi proposto em homenagem ao naturalista britânico John Richardson, que realizou importantes expedições científicas no Canadá durante o século XIX. No entanto, o nome comum "carneiro-de-Dall" deriva do explorador e naturalista norueguês Charles Dall, que trabalhou na região do Alasca durante as décadas de 1860 e 1870 como parte da Expedição Polar Americana. Dall coletou numerosas amostras de fauna, incluindo exemplares do carneiro-de-Dall, e documentou detalhadamente suas características morfológicas e distribuição geográfica. Embora não tenha sido o primeiro a descrever a espécie, seu trabalho foi fundamental para a sua identificação formal. O termo "dalli" foi posteriormente adotado por zoólogos europeus para honrar sua contribuição. Em língua inglesa, o animal é conhecido como "Dall’s sheep", uma forma direta do nome científico. O uso do nome "carneiro-de-Dall" no português brasileiro é uma adaptação linguística que preserva a grafia original em homenagem ao naturalista. É importante notar que a espécie não é confundida com outras semelhantes, como o carneiro-da-árvore (Ovis orientalis) ou o carneiro-campêstre (Ovis canadensis), embora compartilhe algumas características morfológicas com estas últimas. A escolha do nome reflete tanto o legado científico do século XIX quanto a importância da exploração naturalista no entendimento da biodiversidade polar.
O carneiro-de-Dall apresenta uma aparência impressionante, caracterizada por um dimorfismo sexual marcante entre machos e fêmeas. Os machos adultos alcançam um comprimento total de cerca de 1,5 a 1,8 metro, com altura na cernelha variando entre 90 e 100 cm, e podem pesar entre 90 e 130 kg. As fêmeas são significativamente menores, com comprimento médio de 1,2 a 1,4 metro e peso entre 50 e 80 kg. Um dos traços mais distintivos é a pelagem: os machos possuem um manto denso, branco ou creme-esbranquiçado, que se torna mais opaco com o tempo e pode apresentar tons acinzentados em áreas mais expostas. As fêmeas têm pelagem mais clara, mas geralmente mais cinzenta, especialmente em regiões do dorso e membros. A pelagem é composta por dois camadas — uma subpelagem fina e quente, e um pelo externo longo e resistente — essencial para sobreviver às temperaturas extremas do inverno ártico, que podem chegar a -40°C. O focinho é largo e robusto, com narinas grandes e sensíveis, adaptadas para detectar alimentos sob neve. Os olhos são grandes e bem posicionados, proporcionando ampla visão periférica, crucial em terrenos escarpados. O corpo é compacto e muscular, com patas fortes e cascos duros, ideais para escaladas em rochas íngremes. O mais impressionante, contudo, são os chifres. Nos machos, eles são longos, curvados para trás e para cima, podendo atingir até 1,2 metro de comprimento, com um diâmetro que aumenta progressivamente desde a base até a ponta. Esses chifres são compostos de queratina e crescem continuamente ao longo da vida, formando anéis concêntricos que permitem estimar a idade do animal. As fêmeas têm chifres muito mais curtos, retos ou ligeiramente curvos, raramente ultrapassando 20 cm. Essa diferença na estrutura dos chifres está diretamente ligada ao comportamento reprodutivo, onde machos competem por fêmeas através de confrontos de chifres.
A biologia do Ovis dalli envolve uma complexa interação entre genética, evolução e adaptação ambiental. Estudos genéticos revelam que a espécie possui um número cromossômico diploide de 54 cromossomos, similar ao de outras ovinas, mas com variações genéticas significativas entre subespécies. A principal divisão ocorre entre Ovis dalli dalli, encontrada no continente do Alasca, e Ovis dalli argyrocharis, endêmica do arquipélago de Kodiak. Essas duas subespécies diferem em tamanho corporal, cor da pelagem, densidade do manto e padrão de crescimento dos chifres. Análises moleculares indicam que divergiram há cerca de 10 mil anos, provavelmente devido à separação geográfica causada pela elevação do nível do mar e mudanças climáticas durante o último período glacial. Geneticamente, o carneiro-de-Dall mostra alta taxa de heterozigose em loci relacionados à imunidade e tolerância ao frio, sugerindo seleção natural intensa em ambientes hostis. Adaptativamente, o animal desenvolveu múltiplas características para sobreviver em altitudes elevadas e climas severos. Possui um metabolismo eficiente, capaz de armazenar gordura em períodos de abundância alimentar para sustentar o organismo durante invernos prolongados. Seu sistema respiratório é otimizado para oxigenação em altitudes acima de 3.000 metros, com pulmões relativamente maiores e maior capacidade de transporte de oxigênio. Além disso, o sangue possui hemoglobina com afinidade aumentada pelo oxigênio, permitindo melhor oxigenação em condições hipóxicas. O sistema digestivo é altamente especializado, com um estômago de quatro câmaras que permite fermentação intensiva de fibras vegetais duras, como musgos e líquenes. A reprodução é regulada por fotoperíodo, com ciclos hormonais sincronizados com as estações. Durante o verão, a produção de testosterona aumenta, promovendo o desenvolvimento dos chifres e o comportamento territorial. O sistema nervoso também é adaptado, com grande volume cerebral em áreas relacionadas à memória espacial e reconhecimento de territórios, essenciais para navegação em paisagens montanhosas complexas.
O carneiro-de-Dall tem uma distribuição geográfica restrita, concentrada principalmente na região do Alasca, nos Estados Unidos, e em partes adjacentes do Canadá. Suas populações estão divididas em dois grandes blocos: uma população continental no Alasca central e sul, e outra insular no arquipélago de Kodiak, onde a subespécie Ovis dalli argyrocharis é endêmica. Na região continental, o animal habita áreas montanhosas do interior do Alasca, incluindo a cadeia de montanhas de Brooks, a Cordilheira de Alaska, e a região de Denali, além de áreas próximas ao rio Yukon. Também é encontrado em regiões montanhosas do sudeste do Alasca, como o Parque Nacional Wrangell-St. Elias. No Canadá, pequenas populações são registradas nas montanhas do Território do Yukon, especialmente nas regiões ao longo da fronteira com o Alasca. A ausência de registros em outros países é explicada por barreiras geográficas naturais, como oceanos, planícies abertas e zonas climáticas inadequadas. O habitat ideal do carneiro-de-Dall exige altitudes elevadas (acima de 1.000 metros), terrenos escarpados com acesso a áreas de pastagem e proteção contra ventos fortes. A espécie evita áreas planas e florestas densas, preferindo picos, penhascos e taludes rochosos. Apesar da restrição geográfica, a população total é estimada em cerca de 50.000 indivíduos, com variações sazonais e anuais devido a fatores climáticos e demográficos. A maioria das populações está dentro de áreas protegidas, como parques nacionais e reservas de vida silvestre, o que ajuda a manter a estabilidade populacional. A distribuição atual é influenciada por mudanças climáticas recentes, com alguns estudos apontando migrações leves para áreas mais altas em resposta ao aquecimento global.
O habitat natural do carneiro-de-Dall é dominado por montanhas altas, tundras alpinas e regiões árticas de altitude elevada, onde o clima é rigoroso e as condições de vida são extremas. As áreas preferidas são compostas por rochas graníticas e metamórficas, com declives íngremes e fissuras que oferecem proteção contra predadores e ventos fortes. A espécie evita áreas planas e florestas densas, pois estas dificultam sua mobilidade e exposição a ameaças. Em altitudes entre 1.000 e 3.500 metros, encontra-se o seu nicho ecológico ideal, onde o solo é permeável, com baixa cobertura vegetal e acesso a fontes de água melhora durante o degelo. A tundra alpina, caracterizada por vegetação rasteira como liquens, musgos, gramíneas e arbustos baixos, fornece a base da dieta do carneiro-de-Dall. Durante o verão, o animal migra para áreas mais altas, aproveitando o breve período de crescimento vegetativo. No inverno, descende para regiões mais baixas, frequentemente em vales protegidos ou encostas ensombreadas, onde o vento é menos intenso e a neve menos profunda. Essas áreas são cruciais para a sobrevivência, pois fornecem acesso a alimentos ocultos sob a neve. O microclima local é determinante: o animal busca lugares com boa exposição solar, que ajudam a derreter a neve e liberar plantas comestíveis. A proximidade de afloramentos rochosos é vital, pois serve como abrigo, ponto de observação e área de repouso. O habitat também inclui áreas de escavação natural, onde o animal escava a neve com os cascos para encontrar raízes e folhas. A presença de água, mesmo em forma de gelo, é essencial, especialmente durante o período de gestação e lactação. A fragmentação do habitat é um risco crescente, impulsionada por atividades humanas como mineração, construção de estradas e turismo, que podem interromper rotas migratórias e reduzir a conectividade entre populações.
O estilo de vida do carneiro-de-Dall é profundamente influenciado por seus habitats montanhosos e pelos ciclos sazonais extremos. A espécie é predominantemente diurna, com atividades principais concentradas ao longo do dia, especialmente durante a manhã e tarde, quando o sol é mais intenso e o ambiente mais seguro. O comportamento social é altamente organizado e varia conforme a época do ano. Durante o verão, os grupos são mais numerosos e mistos, composto por fêmeas, filhotes e jovens, com machos adultos frequentemente isolados ou formando grupos de solteiros. Esses grupos de fêmeas são liderados por uma fêmea dominante, geralmente a mais velha e experiente, que toma decisões sobre migração, alimentação e segurança. A hierarquia é estabelecida por sinais visuais e posturais, com o uso de olhar fixo, empurrões suaves e movimentos corporais. Durante o inverno, os grupos tendem a se fragmentar, com fêmeas e filhotes formando pequenos núcleos, enquanto os machos permanecem solitários ou em grupos pequenos. A convivência entre machos é tensa, especialmente no período de acasalamento, quando ocorrem disputas territoriais. O contato visual, postura erguida, agressão simbólica e confrontos com chifres são comuns. A comunicação é feita por meio de vocalizações sutis, como grunhidos, miados e sons de alarme, além de sinais táteis e olfativos. O animal demonstra alta sensibilidade ao ambiente, utilizando o olfato para detectar predadores e o ouvido para perceber sons distantes. A vigilância é constante: um ou mais membros do grupo permanecem em posições elevadas, observando o entorno. Durante a reprodução, os machos realizam rituais de cortejo, incluindo marchas circulares, batidas de cascos e exibição de chifres. O comportamento é altamente estratégico, com foco em minimizar riscos e maximizar sucesso reprodutivo.
A reprodução do carneiro-de-Dall é sazonal e intensamente regulada por fatores ambientais, principalmente a fotoperíodo. O período de acasalamento ocorre entre outubro e dezembro, coincidindo com o início do inverno, quando os machos entram em estado de excitação reprodutiva. Durante esse período, os machos competem vigorosamente por fêmeas, utilizando seus chifres em combates ritualizados que muitas vezes terminam em empates ou retiradas. A duração dessas disputas pode variar de minutos a horas, dependendo da força e da experiência do animal. Após o acasalamento, as fêmeas passam por um período de gestação de aproximadamente 160 dias, com partos ocorrendo entre abril e junho, no início da primavera. A maioria dos filhotes é nascida em locais seguros, como penhascos ou ravinas, onde a proteção contra predadores é máxima. As fêmeas geralmente dão à luz um único filhote, embora casos de gêmeos sejam raros. Os filhotes nascem com pelagem cinza-escuro, que muda gradualmente para o branco característico nos primeiros meses de vida. São capazes de se levantar e andar poucas horas após o nascimento, o que é essencial para sua sobrevivência em terrenos escarpados. A amamentação dura cerca de 6 a 8 meses, durante os quais a mãe mantém um vínculo estreito com o filhote, guiando-o em movimentações diárias. A adolescência começa aos 12 meses, com o início da maturação sexual. Machos começam a mostrar comportamento territorial por volta dos 3 anos, enquanto fêmeas podem se reproduzir a partir dos 2 anos. A longevidade média em estado selvagem é de 12 a 15 anos, embora alguns indivíduos cheguem a 20 anos. A mortalidade juvenil é alta, especialmente nos primeiros meses, devido a predadores, doenças e condições climáticas adversas. A taxa de sobrevivência dos filhotes varia entre 50% e 70%, dependendo da qualidade do habitat e da disponibilidade de alimento.
O carneiro-de-Dall é um herbívoro obrigatório, com dieta altamente especializada em função do ambiente ártico. Sua alimentação é composta principalmente por plantas de crescimento lento e resistente ao frio, incluindo líquenes (como Cladonia e Cetraria), musgos, gramíneas alpinas, arbustos baixos (como Salix e Betula nana) e raízes subterrâneas. Durante o verão, quando a vegetação é mais abundante, o animal consome uma variedade maior de plantas, aproveitando o crescimento rápido das gramíneas e ervas. Em épocas de neve, utiliza seus cascos fortes para escavar a neve e acessar vegetação escondida, um comportamento chamado "escavação de neve". Esse processo é energicamente custoso, mas necessário para manter a ingestão calórica adequada. O sistema digestivo é altamente eficiente, com um estômago de quatro câmaras que permite fermentação prolongada e extração máxima de nutrientes. O animal mastiga lentamente, frequentemente em movimentos de "chewing the cud", ruminação que ajuda na digestão de fibras duras. A ingestão diária pode variar entre 2 e 4 kg de matéria seca, dependendo da estação e da condição física. A escolha de alimentos é influenciada por disponibilidade, nutrição e palatabilidade. Em certas áreas, o carneiro-de-Dall demonstra preferência por plantas ricas em minerais, como potássio e cálcio, essenciais para o crescimento dos chifres e ossos. Durante o inverno, quando a oferta de alimento diminui, o animal entra em estado de menor atividade metabólica, reduzindo a necessidade calórica. A dieta também é afetada por eventos climáticos extremos, como tempestades de neve ou secas prolongadas, que podem limitar o acesso a recursos alimentares. A competição por alimento é mínima entre indivíduos da mesma subespécie, mas pode aumentar em áreas com alta densidade populacional.
O carneiro-de-Dall possui um valor econômico e prático significativo para comunidades indígenas e locais do Alasca, especialmente para povos como os Inuit, Aleut, Athabascan e Yup’ik. Tradicionalmente, todas as partes do animal são utilizadas de forma sustentável, garantindo mínima perda de recursos. A carne é consumida fresca ou seca, sendo uma fonte valiosa de proteína, especialmente em épocas de escassez alimentar. A carne é rica em ferro, vitamina B12 e gorduras saudáveis, essenciais para a saúde em climas frios. Os couros são usados na fabricação de roupas, botas, bolsas e cobertores, graças à sua resistência e isolamento térmico. Os chifres são transformados em utensílios, ferramentas e objetos decorativos, com técnicas artesanais transmitidas de geração em geração. Os ossos são utilizados para fazer agulhas, facas e enfeites. Além disso, a caça tradicional é um componente central da cultura, envolvendo rituais, histórias orais e práticas de respeito ao animal. Em contextos modernos, o carneiro-de-Dall representa uma fonte de renda para caçadores profissionais e turistas, especialmente por meio da caça esportiva regulada. A venda de licenças de caça gera receitas para governos estaduais e tribais, financiando programas de conservação e infraestrutura local. O turismo de observação de vida selvagem também cresceu, com visitantes pagando para fotografar e estudar os animais em seu habitat natural. Essa economia sustentável incentiva a preservação dos ecossistemas e fortalece a relação entre comunidades e natureza. A gestão participativa, com o envolvimento direto dos povos locais na tomada de decisão, é fundamental para garantir que os benefícios sejam equitativos e duradouros.
A ecologia do carneiro-de-Dall é complexa e integrada ao funcionamento dos ecossistemas montanhosos do Alasca. Como consumidor secundário, ele influencia a dinâmica da vegetação ao controlar o crescimento de certas espécies vegetais, prevenindo o superexcesso de biomassa. Sua presença também afeta a dispersão de sementes e a estrutura do solo por meio de suas trilhas e escavações. Além disso, serve como alimento para predadores naturais, como ursos-pardos, lobos e águias-reais, contribuindo para a manutenção da cadeia alimentar. A conservação do Ovis dalli é uma prioridade ambiental devido à sua vulnerabilidade a mudanças climáticas, perda de habitat e pressão humana. As principais medidas de conservação incluem a criação e expansão de áreas protegidas, como o Parque Nacional Denali, o Parque Nacional Wrangell-St. Elias e a Reserva de Vida Silvestre de Arctic National Wildlife Refuge. Programas de monitoramento populacional são implementados regularmente por órgãos como o Serviço de Pesca e Vida Silvestre dos EUA (USFWS) e agências estaduais do Alasca. A caça é regulamentada por licenças, com quotas anuais baseadas em dados de inventário e projeções demográficas. A pesquisa científica continua a investigar os impactos do aquecimento global, como alterações na cobertura de neve, migração forçada e aumento da incidência de parasitas. A colaboração entre cientistas, governos e comunidades indígenas é essencial para o sucesso das iniciativas. Projetos de educação ambiental e sensibilização pública também são promovidos para reduzir conflitos humanos-animal e fomentar a coexistência sustentável. A espécie está classificada como "Vulnerável" pela IUCN, embora populações estáveis em áreas protegidas mantenham a esperança de recuperação.
Apesar de ser um animal selvagem e geralmente evitativo, o carneiro-de-Dall pode apresentar riscos potenciais em interações com humanos, especialmente em contextos de turismo, caça e exploração de terras. Os machos adultos, particularmente durante o período de acasalamento, podem ser agressivos, especialmente se sentirem ameaçados ou se interpuserem em suas rotas de migração. Confrontos com pessoas são raros, mas podem ocorrer se o animal se sentir cercado ou se um caçador se aproximar demais. O uso de chifres em batalhas é letal em casos extremos, embora o animal prefira intimidar do que atacar. Outro risco é o engano de identificação: em áreas de alta densidade turística, visitantes podem tentar se aproximar para fotografar, o que pode provocar estresse ao animal e alterar seu comportamento natural. Além disso, a presença humana em habitats críticos pode interferir nas rotas migratórias e na reprodução. Há relatos de machos invadindo áreas de acampamento em busca de sal mineral, algo que pode gerar conflitos. Por outro lado, a espécie é amplamente respeitada e tem um papel positivo na relação com humanos, especialmente em comunidades indígenas, onde é visto como um ser sagrado e digno de reverência. A interação é geralmente harmônica, com práticas de caça sustentável e respeito às tradições. A educação e o controle de acesso são fundamentais para minimizar riscos. Em caso de encontro, recomenda-se manter distância, evitar olhar fixo e não alimentar o animal.
O carneiro-de-Dall ocupa um lugar central na cultura e história de diversas comunidades indígenas do Alasca, representando não apenas um recurso material, mas também um símbolo de força, liberdade e conexão com a natureza. Entre os povos Athabascan, o animal é associado a lendas de criaturas mitológicas que habitam as montanhas, sendo considerado um guardião dos picos e dos caminhos secretos. Nas tradições Yup’ik e Cup’ik, o carneiro-de-Dall aparece em cantos, danças e rituais de passagem, simbolizando a transição da juventude para a maturidade. As histórias orais frequentemente destacam a sabedoria do animal, sua habilidade de sobreviver em ambientes extremos e sua inteligência na busca por alimento. A caça do carneiro-de-Dall é acompanhada por rituais de gratidão, incluindo oferendas de carne e rezas antes da partida. O uso de seus elementos — pele, chifres, ossos — em arte indígena é comum, com máscaras, esculturas e tecidos que retratam sua figura. Esses objetos são frequentemente usados em cerimônias religiosas e de celebração familiar. A espécie também é referida em mitos sobre a criação do mundo, onde o carneiro-de-Dall é descrito como um dos primeiros seres vivos a emergir das montanhas. Essa herança cultural é preservada por líderes comunitários, educadores e artistas, que transmitem os valores ancestrais para novas gerações. A presença do carneiro-de-Dall na identidade cultural é tão forte que sua proteção é vista como um ato de defesa da própria herança.
A caça ao carneiro-de-Dall é altamente regulamentada para garantir a sustentabilidade da espécie. No Alasca, a caça é autorizada apenas mediante licença emitida pelo Departamento de Pesca e Vida Silvestre do Estado (ADFG), com critérios rigorosos baseados em idade, sexo, tamanho do chifre e localização geográfica. Os caçadores devem passar por treinamentos obrigatórios e seguir protocolos de respeito ao animal e ao meio ambiente. A temporada de caça é limitada a um período específico, geralmente entre setembro e novembro, fora do período reprodutivo. O número de licenças concedidas anualmente é calculado com base em dados de inventário populacional, análises demográficas e modelos de crescimento. A prática da caça esportiva é considerada sustentável, pois os lucros gerados são reinvestidos em conservação, pesquisa e programas comunitários. A caça tradicional, realizada por povos indígenas, é permitida sem limite de número, desde que respeite os princípios de uso sustentável e não haja desperdício. O impacto populacional é monitorado constantemente, e qualquer queda significativa aciona medidas de contenção. A caça ilegal é punida com multas pesadas e prisão. Apesar disso, há preocupações com a pressão crescente do turismo e a demanda por troféus, o que exige vigilância constante. A integração entre ciência, política e cultura é essencial para equilibrar os interesses.
O carneiro-de-Dall possui várias características incomuns que o tornam fascinante. Um dos mais notáveis é o crescimento contínuo dos chifres, que nunca param, formando anéis anuais que permitem estimar a idade com precisão. Em alguns machos, os chifres podem pesar mais que o próprio animal. Outro fato surpreendente é que, embora pareçam brancos, sua pelagem real é branca apenas em certas condições; em ambientes úmidos, a pelagem absorve umidade e escurece. O animal é capaz de saltar até 3 metros de altura e 6 metros de distância em terrenos íngremes, usando seus cascos como pregos. Ele também possui um sentido de equilíbrio excepcional, graças a uma coluna vertebral flexível e músculos poderosos. Curiosamente, os filhotes nascem com olhos abertos e já conseguem caminhar em poucas horas, um reflexo adaptativo crucial em ambientes perigosos. Além disso, o carneiro-de-Dall é capaz de sobreviver semanas sem água, obtendo hidratação de plantas e neve. Um dado pouco conhecido é que o animal pode detectar movimentos a mais de 1 km de distância, graças à sua excelente audição e visão periférica. Finalmente, sua imagem está presente em moedas, selos e logotipos do Alasca, simbolizando a força da natureza selvagem.

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